Réveillon: roupa branca, dentes brancos

Olá,

Esta semana fomos brindados com mais uma coluna do Dr. Carlos Loureiro, especialmente escrita para o Blog!

Aproveitem, tenho certeza que vão gostar .

Sinônimo de beleza, jovialidade, limpeza e auto-estima, dentes branco fazem parte do desejo da maioria das pessoas.

A cor dos dentes é uma característica herdada geneticamente e modificada por fatores como idade, hábitos como fumo, uso constante de bebidas pigmentadas, como café, chá, refrigerantes à base de cola, vinho tinto, trauma, tratamento endodôntico e restaurações antigas. Durante a formação dos dentes, o consumo de tetraciclina e/ou excessivo uso de flúor também podem causar manchas nos mesmos.

O clareamento dental é um processo que clareia as pigmentações do esmalte e da dentina. Ocorre pela ação de um agente clareador em fora de gel inserido em uma placa feita individualmente para o paciente, envolvendo toda a superfície dentária. É composto de peróxido de carbamida ou de peróxido de hidrogênio com concentrações que variam de 6 a 16%, com pH neutro de 6,9. A aplicação poderá ser feita no consultório com concentrações maiores ou em casa com uso de gel de menor concentração. O tempo de uso dependerá de cada caso, com o estilo de vida de cada paciente e do tipo de gel utilizado.

O peróxido de carbamida ou de hidrogênio é quebrado em moléculas de oxigênio que entram no esmalte e dentina clareando os pigmentos encontrados. A cor do dente se tomará mais clara, entretanto a estrutura do dente será preservada.

O tratamento não é indicado antes de 15 anos de idade, pacientes grávidas, lactantes (que estão amamentando) e para quem apresentou reações alérgicas ao gel em tratamentos anteriores.

A mudança de cor é definitiva, entretanto, os dentes continuarão escurecendo com os hábitos alimentares e idade, porém ficarão sempre mais claros do que estavam. Alguns pacientes podem precisar de um retoque a cada 6 meses ou 1 ano, principalmente se continuarem a consumir excessivamente substâncias que contenham corantes, como vinho tinto, chá, café, refrigerantes à base de cola e tabaco.

O maior de todos os mitos é o fato dos peróxidos serem potencializadores de tumores. Na verdade são, porém em concentração acima de 50%. Utilizamos no máximo 35% e sem contato nenhum com tecidos moles ou mucosas. Não há relatos de problemas sistêmicos associados a tratamentos clareadores.

Não existe tratamento em sessão única. É mera estratégia de marketing!

O resultado é subjetivo. Cada paciente responde ao tratamento de forma diferente, por isso não é possível prever ou afirmar quantos tons o dente vai clarear. Depende da resposta biológica de cada um. O clareamento pode ser observado logo após a primeira aplicação e os resultados ideais geralmente ocorrem quando o processo for contínuo por 14 dias a 1 mês.

Dentes com manchas internas muito intensas, como as de tetraciclina, poderão demorar mais de 6 meses para clarear e mesmo assim, com resultados pouco satisfatórios. Nestes casos poderemos avaliar outra estratégia de tratamento, como por exemplo, as facetas de cerâmica.

Não existem tratamentos mais ou menos eficazes. Na verdade, todos os tipos de clareamento seguem o mesmo princípio: a ação de um gel (peróxido de hidrogênio ou carbamida) em diferentes concentrações, que libera oxigênio, e este altera a cor do dente.

Os tratamentos feitos em consultório, com gel de maior concentração, também exigem várias sessões com intervalos de dias. Inúmeros trabalhos científicos têm mostrado que o resultado final é praticamente o mesmo.

A primeira sessão feita em consultório poderá acelerar o tratamento, porém não é recomendado o uso de alguma fonte de luz (LED, Laser ou associação dos dois) com produção calor. O uso indiscriminado de tais fontes de calor oferecerá excessiva sensibilidade e agressão aos tecidos dentais. Não existem trabalhos científicos multicêntricos e sem interferência de fabricantes dos aparelhos que justifiquem o uso de tais fontes de luz

Recomenda-se evitar alimentos pigmentados durante o tratamento. Na técnica caseira é melhor esperar pelo menos duas horas de intervalo para ingerir alimentos como café e refrigerante, por exemplo, para dar tempo do dente hidratar. Por este motivo, recomendamos o uso da placa com o gel por 2 a 3 horas antes de dormir.

Se o desejo for combinar o sorriso com sua roupa para o Réveillon, ainda dá tempo!!!

 

Carlos Loureiro Neto, CD

Odontologia estética

www.carlosloureiro.com.br

loureiro.neto@uol.com.br

 

 

 

Crônica para um Final de Ano Vinhateiro.

Hoje tenho uma surpresa para vocês, convidei o sommelier André Monteiro, colunista do ” CLUBE MALUCOS POR VINHO ”  que pesquisa o que há de interessante no mercado, sempre com a intenção de apresentar novos vinhos e grandes achados  para escrever uma matéria especial sobre vinhos e harmonização, para as Festas de Fim de Ano. Tenho certeza que irão adorar!!!!!!

Caros Confrades, as festas de final de ano sempre foram (e continuarão sendo) momentos especiais. Época de reflexão, de renovação e, principalmente, de carinho com o próximo. Não é de forma intencional ou consciente, mas vivemos estes dias com mais tolerância, somos mais amáveis, carinhosos e bondosos. Aproveitamos para estreitar os laços familiares e de amizade. Essas mudanças também se verificam nas mesas, nas ceias e nos cardápios de celebração.

Sala de Degustação de Vinho do Porto em Gaia.

É nesta época que nossos costumes à mesa refletem bem as influências que recebemos dos nossos antepassados (europeus, africanos, asiáticos…) além dos “gostos adquiridos” de outras culturas. Desde a organização, decoração, até a figura do Papai Noel. Nesse contexto, o cardápio e as bebidas da festa assumem um papel fundamental e uma questão muito interessante vem à tona: O que servir com o que? Ou, melhor dizendo, como harmonizar vinho e comida?

Garanto a vocês, combinar esses dois mundos muitas vezes é complicado. São milhares de pratos e vinhos que precisam ser analisados, entendidos e combinados de forma tal que a gente obtenha o melhor resultado na hora de degustá-los. “Eno-Compatibilização” é o nome que se dá a esse exercício delicioso, quase divino. Por conceito, podemos dizer que é a capacidade de combinar vinhos e comidas de modo que se realce ao máximo cada um, sem que, se sobreponham. Bonito isso, não? O casamento entre um determinado vinho com um prato específico é perfeito quando ambos se enriquecem. Mas, às vezes, essa tarefa se mostra muito difícil e complicada.

Mas vamos voltar para as nossas festas de final de ano. Em primeiro lugar, não podemos esquecer que boa parte das nossas tradições tem sua origem no Hemisfério Norte, que nesta altura do campeonato, está um frio de rachar. Enquanto isso, aqui no Brasil, é alto verão! Não tentem servir aqueles pratos pesados e calóricos, com vinhos potentes e alcoólicos. Isso irá transformar a sua ceia numa batalha gastronômica onde alguns bravos soldados poderão parar no hospital.

Minha sugestão é mesclar pratos tradicionais com algumas novidades ou ingredientes típicos do verão. Para visualizar melhor essa proposta, vamos imaginar a nossa Ceia de Natal. Vamos dividir o serviço entre: Aperitivos/Entradas, Primeiro Prato, Segundo Prato e Sobremesas.

Enquanto esperamos os convidados chegarem, recomendo servir frutas secas, canapés, presuntos crus e queijos macios. Tenham cuidado com os ingredientes muito doces, não queremos estragar a refeição. O vinho perfeito para este momento é o espumante. Pode ser branco ou rosé, tanto faz; mas tem que ser seco (“Brut”). Nos dias de hoje, existem muitas regiões que produzem excelentes bolhas; eu recomendo: Espumantes nacionais, Cavas espanholas, Franciacortas e Proseccos italianos, além, é claro, dos Champagnes (sempre franceses).

Sonho de qualquer Gourmand.

Com os termômetros marcando uns 30 graus, minha sugestão para o primeiro prato seria algo leve e refrescante, que conseguisse alimentar e, ao mesmo tempo, manter nossos sentidos apurados para tudo que ainda virá. Não tenham medo de inovar. Eu recomendo um Gaspacho (típica sopa fria espanhola à base de tomates) ou um Ceviche de peixe ou frutos do mar. Em ambos os casos, devido à acidez marcante, vocês poderiam manter o serviço do espumante ou abrir um vinho branco fresco, frutado e sem passagem por madeira. Minhas sugestões de uvas são: Chenin Blanc (‘Vouvray”), Sauvignon Blanc chileno, Verdelho espanhol ou um Pinot Grigio italiano.

A “Pièce de Résistance” seria um prato mais substancioso, encorpado. Existem muitas opções de carnes, desde a bovina até as aves. Eu serviria um Peru Assado, recheado de frutas secas e especiarias. O molho seria uma mistura do caldo do assado com vinho branco, especiarias e um toque de creme de leite. Para acompanhar, um cuscuz marroquino com castanhas portuguesas, além do arroz branco. Ops, deu água na boca, né. Os vinhos que melhor combinam seriam os tintos de corpo médio para menor, com acidez destacada, álcool moderado e pouca marcação de madeira. Várias uvas (castas) atendem aos requisitos, em especial: Pinot Noir, Barbera, Dolcetto, Tempranillo (Jovem) ou Zinfandel.

Cacho de Touriga Nacional no Douro.

Na hora das sobremesas, eu ficaria com o clássico dos clássicos: Rabanada de Panetone ao Vinho do Porto acompanhada de Sorvete de Figo Seco ou de Passas ao Rum. E para harmonizar, um delicioso vinho de sobremesa fortificado: Porto Tawny, Madeira Malmsey Doce, Jerez Pedro Ximénez, Marsala Superiore Dulce, Banyuls ou Tokaji Aszú. Pronto, aí está a nossa Ceia de Natal.

Ufa, quantos detalhes. Mas… E a Ceia de Réveillon, como fica? Fácil, muito fácil. Seja qual for o cardápio, celebre com espumantes, muitos espumantes. Nada combina melhor com a passagem do ano do que o estourar das garrafas e as bolhas se perdendo na nossa boca. Mas, se você não consegue visualizar isso, cuidado! Ou você estará trabalhando, ou então, tem algo de muito errado com a sua festa. (rindo) Queridos confrades, desejo a todos um excelente Natal, um Réveillon espetacular e um 2012 cheio de boas aventuras para se viver. Saúde !!!

Final de tarde preguiçoso na vinícola

Sommelier André Monteiro, colunista do " CLUBE MALUCOS POR VINHO"