Aprendendo sobre Imagem Pessoal com o BBB21

 

No meu último texto, sobre o fundamento e base da imagem pessoal, citei a rapper Karol Conká e sua passagem pelo reality show de maior sucesso no Brasil, o Big Brother. A artista entrou no programa como uma das favoritas, embalada por um sucesso fenomenal nas redes sociais e na música e por uma postura de luta contra o racismo e o machismo. Exemplo inquestionável como líder feminista, Karol tinha fãs ardorosos até mesmo dentro da casa. Seus problemas começaram quando passou a mostrar um comportamento muito além da imagem pública. Incisiva demais, briguenta demais e brava demais, Karol chegou a ser acusada até mesmo de xenofobia por comentários infelizes sobre a nordestina Juliette. Seu “em Curitiba nós temos educação” soou como uma frase absolutamente arrogante, reforçando a eterna divisão Norte/Sul no Brasil. Foi eliminada com mais de 99% dos votos, teve uma pequena ajuda da Globo para recuperar a imagem e está em silêncio faz algumas semanas.

Outro que fez um papelão no começo do programa e está numa fase “folclórica” é o ator e cantor Fiuk, filho de Fábio Jr. Nos primeiros programas, o rapaz tentou se mostrar uma pessoa antenada com os problemas sociais brasileiros, externando – às vezes com choro – fortes preocupações com racismo, misoginia, pobreza etc. Quem acompanhava o programa porém, começou a desconfiar da postura do rapaz e no Twitter noticiou-se que ele contratou uma coach para prepara-lo nesses assuntos antes de entrar na casa. Obviamente que o tempo de preparo foi demasiadamente curto e Fiuk passou uma imagem de produto falsificado.

Ontem foi a vez de um dos grandes parceiros de Karol Conká no programa, o também rapper Projota, sair da casa. Assim como sua amiga, o músico foi considerado um dos maiores favoritos a vencer a prova, tendo sido pivô de um dos grandes momentos da edição, o bate-papo com o também confinado (e seu fã confesso), Lucas. Coerente e maduro nas palavras, Projota foi além do discurso, se comprometendo a bancar uma terapia ao “brother” problemático. O fato o fez ganhar milhares de novos apoiadores nas redes sociais e um elogio direto de Tiago Leifert, que o parabenizou pelo “enquadro”. E aí, as coisas passaram a dar errado. Projota pareceu entender que, ao ser louvado pelo apresentador, ele tinha liberdade para criticar e dominar qualquer colega que não se comportasse como ele queria. Além disso, o rapaz que cantava a dura vida na periferia mostrou-se bastante acostumado a outro tipo de rotina, criticando toda comida servida, fazendo birra em brincadeiras e demonstrando certa impaciência com o jogo. Uma matéria no UOL ainda apontou que o cantor que fez sucesso com a canção “Muleque de Vila” se comportava como “Piá de Prédio”, expressão sulista para menino mimado.

Por mais que você possa odiar o reality show global, existem grandes lições para se aprender nessa edição e aplicar na questão da imagem pessoal.

É muito difícil separar personas públicas da privada. Obviamente que certas características pessoais podem ser disfarçadas ou suprimidas. Você pode ser um grande piadista na família e entre amigos e muito sério e contido no trabalho, mesmo porque tem o bom senso de entender que seu meio profissional assim o exige. Mas não adianta tentar ser absolutamente cheio de virtudes e qualidades sob os holofotes, quando os seus defeitos aparecem na intimidade ou em momentos de distração.

Questões que envolvam princípios morais e éticos não podem ser “ensaiadas” para serem transmitidas em público. Ou você as tem no seu core ou não. Fingir ser um liberal quando no fundo é mais conservador que embalagem de Maisena pode até te fazer popular por um período e dento de um pequeno grupo, mas seguramente o verdadeiro self vem à tona em um determinado momento e vai causar mais que estranheza, vai gerar revolta, decepção e abandono.

Isso não significa, porém, que você não pode mudar de ideia, de opinião, nem de valores. Estamos nessa existência para evoluir, nos tornar pessoas melhores, por isso em nome desse desenvolvimento e de sua imagem interna e externa, mude quando sentir necessário. Só que mude de verdade.

E mais, nessa evolução pessoal nada lhe impede de mudar radicalmente de estilo de vida. Uma carreira vitoriosa vem – na maioria dos casos – acompanhada de sucesso financeiro e ascensão na escala social. Só tome cuidado em não tentar se vender como algo que você não é mais. O melhor é ter respeito, carinho, admiração e muito senso de humor com seu passado.

E termino com a famosa frase que já foi atribuída a Lincoln (mas parece que não é): “você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo”.

Seja você.

E se quiser descobrir novas facetas do seu ser, fale comigo para uma avaliação completa de sua imagem pessoal e profissional.

 

 

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