Imagem em Tempos de Pandemia

Acredito que ainda vá levar muito tempo para que tudo o que essa pandemia do COVID nos trouxe em termos de mudanças de paradigmas e formas de pensar seja desvendado e trabalhado, mas não dá não falarmos em como a posição de cada um frente à epidemia e suas consequências pode influenciar na imagem pessoal.

Se leu meus textos anteriores sabe que comportamento é um dos tripés na formação de sua imagem frente a terceiros. E um comportamento leviano ou extremista nunca cai bem se você tiver mais que 17 anos de idade.

É óbvio que, com a experiência de anos em analisar pessoas e imagem pessoal, não criei nenhuma expectativa de comportamento para ninguém em relação ao caos formado. Cada um reage de uma forma frente a uma situação extrema. Acontece, porém, que pesquisando a origem da palavra caos, vi que uma das traduções para o nome dessa divindade grega é algo como “corte” ou “separação”. E inevitavelmente estamos cortando ou separando as pessoas por suas reações à pandemia.

E essas reações passam por críticas, negação, brigas, Fake News, opiniões exacerbadas e muito barulho. Tudo isso causado por um cenário repleto de pessoas doentes, mortes, negócios falindo, fome e depressão.

Tentar silenciar tantos sentimentos pode parecer extremamente difícil, mas perante isso, manter uma imagem plena e madura é primordial. E uma das formas mais contundentes de não parecer radical de nenhum lado é simplesmente seguir as regras colocadas. Se as autoridades sanitárias mundiais e brasileiras determinam algo, é só saber seguir.

Há permissão para encontros em pequenos grupos, em restaurantes ou em casa? Então vá, garantindo que o grupo é sim, pequeno. Houve restrição governamental a esses “passeios”? Não vá.  É permitido fazer exercícios físicos ao ar livre? Vá e divirta-se! Foi proibido? Fique em casa.

O que não se pode transmitir é uma imagem de afronta ou desafio. Pessoas que vão à praia, mesmo fechada, que frequentam baladas clandestinas ou festas – mesmo familiares – lotadas de gente, sabendo que não é nem permitido, nem recomendando, acabam se queimando com as pessoas que estão respeitando as normas e algumas dessas pessoas podem realmente te cortar de suas convivências.

Também existe a questão da ostentação. Se você fugir da pandemia indo para Dubai, Maldivas ou até mesmo para um resort no Brasil é ótimo para você. Mas entenda que ficar postando as viagens exaustivamente nas redes vai mostrar uma insensibilidade frente às milhares de pessoas que estão sofrendo pela perda de um ente querido, pelo fim de seu emprego ou negócio ou por todas as desgraças que a doença trouxe para a população do planeta.

A aqueles que possuem cargos de liderança e que devem dar o exemplo então, a coisa fica muito mais contundente, haja vista o caso do Governador interino do Rio de Janeiro que proibiu festas no estado, menos a de seu próprio aniversário; ou da influencer e musa fitness Gabriela Pugliesi, que reuniu amigos numa festa em seu apartamento no auge da pandemia   em 2020 e teve que fugir das redes (voltou agora com uma separação ruidosa, o que não colabora muito também) e ainda o astro do Flamengo, Gabriel Barbosa, conhecido por Gabigol, que foi flagrado pela polícia em duplo delito, furando o isolamento social em São Paulo e num cassino clandestino, ainda por cima. Numa entrevista ao Fantástico, o jogador ainda tentou justificar que tinha saído para jantar com amigos e não sabia onde ia, mas os assessores do atacante esqueceram de avisar a a ele que na época os restaurantes e bares da capital paulistana estavam fechados.

Por fim, outro fator importante a considerar nesse momento de tantas ebulições de divisão no Brasil é que, independente da sua posição ideológica e política, fomentar discursos de ódio pela atitude alheia, tão diferente da sua, especialmente em redes sociais, pode trazer resultados funestos quando tudo voltar ao normal.

Não estou aqui defendendo lockdown, políticas governamentais ou até mesmo não levando em conta que existem pessoas que não conseguem ou podem se isolar devido a seus trabalhos ou condição social. Acredito, no entanto, que estamos num momento – até mesmo previsto por alguns místicos de alguns anos para cá – onde somos obrigados a entrar num processo de reflexão, autoanálise e consequente evolução.

Na mitologia grega, do Caos nasceram Nix e Érubus, a noite e a escuridão, e ambos uniram-se para a geração de novas divindades  e dos seres vivos. Foi do Caos, junto com sua filha Nix, que surgiram as Moiras, deusas do Destino. Então, pela analogia, do caos da pandemia, você pode mudar seu destino e sua imagem, mantendo-se sereno, reflexivo e coerente.

E se precisar de ajuda para esse fim, não hesite em me procurar.